quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Cultura Pop, consumismo e eventos

Somos pessoas de nosso tempo, e as vezes não refletimos sobre nossas práticas. A reflexão sobre aquilo que fazemos é importantíssimo para a saúde do nosso agir. Sem reflexão nosso agir pode ser tornar um mero ativismo sem propósito.
Atualmente somos solapados por uma prática que é "normal", a construção de uma espiritualidade de eventos. Os eventos são programações que tendem a manter o "ânimo" das pessoas, manter a empolgação. As sensações são o fim em si mesmo, e os "produtos lançados" tem a finalidade de manter essas sensações. Por isso o "mercado" esta sempre lançando coisas novas: novas unções, novos estilos, novas ministrações, "buscar algo novo do Senhor". Cultura pop, o que atrai números é então aquilo que é considerado como certo.
No mundo evangélico brasileiro temos um exemplo bem real disso. Temos um grupo musical que foi "lançado" no “mercado evangélico” (como se esse não fosse a mesma coisa que o outro, só muda o nome). A campanha publicitária aceita, para lançar o grupo, foi aquela que pegou a cantora como um modelo de Maria, roupas largas, aparência "angelical", voz e gestos meigos, e isso tudo de forma proposital. E o que se ouvia das pessoas é que esse grupo tinha "unção" .Lançou moda! Virou exemplo para vários outros grupos. Até aí tudo bem, o problema é que espiritualizam tudo, como se todas essas coisas tivessem sido "reveladas" (novas revelações) e portanto levassem o selo divino de aprovação.
Esse exemplo, tem nos levados a agirmos de forma consumista na nossa fé, e produzimos ou vamos atrás de eventos para nos mantermos no "espírito", sempre atrás de poder e sensações. Onde tem números nós vamos porque lá deve estar acontecendo algo "legal".
Uma outra perversidade é ver as igrejas todas iguais, você sai de um lugar para outro e são as mesmas músicas, o mesmo jeito e até liturgia, não temos mais visto a multiforme graça de Deus, e sim uma única forma, parece um monte de filiais de uma mesma empresa, vendendo o mesmo produto, para manter as mesmas sensações e aumentar o número de adeptos.
Em nome do número e do "crescimento da igreja evangélica", estamos construindo uma espiritualidade de vento e não uma espiritualidade do Vento, por que o vento do Espírito nós leva para onde quiser, o vento dessa espiritualidade evangélica tem nos levado para a preocupação com números e formas. No Espírito do Senhor não há forma, o que existe são formas variadas. E o princípio básico é a liberdade. A liberdade de cada comunidade cristã criar sua própria espiritualidade, seu jeito de louvar e viver a vida cristã simples, sem se preocupar com números e sim com a santidade simples e tranqüila dos crentes de antigamente, como disse um profeta, "saudade desses crentes". O números de crentes esta diminuindo e o número de evangélicos esta aumentando.
evento...é vento!