sexta-feira, 18 de abril de 2008

Não se esconda...


O conhecimento de história aguçou meus sentidos, ajudou-me a compreender melhor algumas questões referentes ao ser humano. A história ajuda-nos a responder questões, quando ela se propõe a isso ela tira o véu sobre alguns assuntos e nos faz ver outras questões sobre um determinado tema. Na busca de resposta de problemas a história encontra outros a serem respondidos. A visão de perguntas a serem feitas e problemas a serem resolvidos já fazia parte de mim, mas o conhecimento histórico foi um upgrade.
Nos textos que escrevo aqui e no blog eu percebo uma linha um pouco pessimista, o surgimento de questões atrás de outras questões, discursos por baixo de discursos. A impressão que tenho, e pode ser só uma impressão, é que a leitura pode produzir uma visão pessimista de espiritualidade. Fazer reflexões sobre nossa prática é muito importante, porque podemos nos “viciar” num jeito determinado de olhar as questões da vida. O olho viciado pode ser a etiologia de um comportamento patológico.
Mas, uma visão superficial das questões que envolvem o homem, a falta de perguntas, como se a vida fosse uma eterna ufania, não me soa bem. Mesmo assim, há uma necessidade urgente de num mundo como o nosso percebermos a beleza que reflete o caráter de um Deus que é santo. Se não há esperança para esse mundo passa-se para uma visão fatalista. Como ser fatalista diante do texto bíblico que mostra Deus como interventor da história? Essa é a diferença de Yavé para outras divindades e do discipulado para outras visões de religião. Deus é interventor, mantenedor e o redentor da criação.
O equilíbrio entre o ufanismo e o fatalismo pode ser uma boa saída para esse possível conflito.
Acredito que sermos realista, tendo em vista que esse realismo ultrapassa a visão cartesiana da natureza, incluindo no realismo a certeza do Deus que intervém na história, é a saída.
Deixar Deus entrar, mesmo que isso seja impossível por Ele ser livre, na nossa realidade, perceber a Sua ação na história e na nossa história, reconhecer de forma grata o fato de que é impossível nos escondermos de Seu amor, agir e reagir na vida a partir dessa gostosa realidade da presença do Santo em nós e por nós, intervirmos nos fatos e acontecimentos a partir da perspectiva da visão Dele e do seu projeto eterno é “andarmos altaneiramente”.
Tenho notado, na minha própria experiência, de que esse Deus criador e mantenedor de todas as coisas é extremamente educado, Ele jamais nos violenta! Sua ação é recheada de amor. O que acontece as vezes é que nossa dor se torna tão nossa que não queremos dividir, como se fosse impossível a Ele intervir nessa doida realidade. Abrir-se para a ação de Seu amor é a cura, deixar Ele cumprir seus propósitos em nós. Não se esconder Dele, mas sim percebê-lo na caminha é curador. A dor diminui nosso campo de visão, mas nenhuma dor pode impedir o agir do Amor Dele em nós. Devemos chorar todas as nossas mágoas, sentir toda a nossas dor, jamais fingirmos aquilo que estamos sentindo, mas lembrarmos que nessa dor Ele sente conosco e que esse choro pode durar uma noite mas o sol brilhará, a chuva passará, a tempestade vai ser acalmada por Ele, veremos o sorriso de Sua face!
Meu convite é que você jamais se esconda Dele, pois Ele estará a sua procura!

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